Texto originalmente escrito em 2022.
Nana é considerado um dos melhores animes e mangás de seu gênero, shoujo com personagens adultos, e isso não é à toa. O mangá, escrito e ilustrado por Ai Yazawa, foi publicado de 2000 a 2009 e atualmente está em hiato devido a problemas de saúde da autora. No Brasil, a obra foi publicada pela editora JBC. O anime, adaptado pelo renomado estúdio Madhouse entre 2006 e 2007, conta com 47 episódios repletos de dor, sofrimento, aprendizado e uma trilha sonora incrível. Além disso, a história ganhou dois filmes live-action.
A História de Duas Nanas
A trama de Nana acompanha duas protagonistas que compartilham o mesmo nome, mas têm personalidades e trajetórias de vida completamente diferentes.
- Nana Komatsu é uma garota comum, vinda de uma família grande e calorosa no interior do Japão. Cheia de amigos e com um coração aberto, ela sonha em viver um grande amor. Seu namorado, Shouji, decide se mudar para Tóquio para estudar, e ela, impulsiva, resolve segui-lo após um ano de planejamento e economia.
- Nana Osaki, por outro lado, teve uma infância solitária. Abandonada pela mãe aos quatro anos, foi criada por uma avó rigorosa. Após a morte da avó, ela conheceu Ren, seu primeiro namorado e baixista da banda em que era vocalista. Quando Ren se muda para Tóquio para seguir carreira, Nana Osaki decide permanecer para construir sua própria trajetória musical, indo para a cidade apenas anos depois.
O destino cruza o caminho das duas Nanas em um trem para Tóquio, durante uma tempestade de neve que prolonga a viagem. Mais tarde, elas se reencontram ao visitar o mesmo apartamento e decidem morar juntas para dividir as despesas. O apartamento fica no sétimo andar, número 777, uma referência ao número sete, considerado de muita sorte na cultura japonesa. No entanto, a sorte parece não acompanhar as duas garotas em suas jornadas.
Hachi e Nana: Uma Amizade Complexa
Para diferenciar as protagonistas, Nana Osaki é chamada apenas de Nana, enquanto Nana Komatsu ganha o apelido de Hachi (que significa "oito" em japonês e também é um nome comum para cachorrinhos). Esse apelido reflete a personalidade doce e um tanto deslumbrada de Hachi.
A primeira parte da história foca bastante em Hachi. Ela sonha em viver feliz ao lado de Shouji e reconectar-se com seus amigos Junko e Kyousuke, um casal que faz parte de seu círculo desde a escola de artes. No entanto, as responsabilidades da vida adulta, como estudos e trabalho, tornam tudo mais difícil, especialmente para Shouji, que luta para lidar com os impulsos e egoísmos de Hachi. Essa dinâmica desencadeia eventos dolorosos que podem causar raiva e frustração nos leitores e espectadores.
Uma das grandes qualidades de Nana é a humanidade de seus personagens. Hachi é cheia de defeitos, e suas escolhas têm consequências significativas na trama. No entanto, seu carisma e coração generoso a tornam uma personagem cativante. Ao longo da história, ela amadurece, tornando-se mais reservada e cuidadosa, sem perder sua essência.
Nana Osaki, por sua vez, luta para expressar seus sentimentos devido à sua criação solitária. Ela reconstrói sua banda e se dedica à música, enquanto tenta reconciliar-se com Ren. No entanto, a relação dos dois nunca mais será a mesma, já que Nana carrega o peso de ter sido "trocada" por uma banda melhor e uma nova vocalista. Ren, por sua vez, precisa de Nana para sobreviver emocionalmente, enquanto Nana encontra em Hachi uma âncora emocional.
Uma História de Amor e Furacões
A relação entre as duas Nanas é complexa e profundamente emocional. Em um dos monólogos, Hachi chega a dizer que, se Nana fosse um homem, certamente seria o amor de sua vida. Essa conexão platônica nunca é totalmente esclarecida na história, deixando espaço para interpretações. É possível imaginar que, se a obra fosse escrita hoje, as duas poderiam explorar um envolvimento romântico, dada a profundidade de seus sentimentos.
Nana é, acima de tudo, uma história sobre amor em suas muitas formas: amor romântico, amor pela música, amor pela amizade e amor por si mesmo. A obra retrata os furacões que passam pela vida de seus personagens, alguns reorganizando tudo e outros deixando um rastro de caos. No entanto, cada furacão traz consigo lições valiosas e mudanças necessárias.
Por que Vale a Pena Assistir e Ler Nana?
Eu conheci Nana aos 18 anos, em um momento crucial da minha vida. A obra me ajudou a entender os desafios da vida adulta, como tomar decisões sobre o futuro, buscar estabilidade e encontrar o amor. Assistir Nana me mostrou que a vida é cheia de tempestades, mas também de oportunidades de crescimento.
Apesar de o anime ter finalizado algumas questões, ele adaptou apenas 12 dos 21 volumes do mangá, deixando muitas pontas soltas. Por isso, recomendo fortemente a leitura do mangá. Prepare-se para uma jornada emocional intensa, com personagens ricos e bem desenvolvidos, cheios de camadas e humanidade.
Conclusão
Nana é uma obra que ressoa profundamente com quem a consome. Mesmo sem um final definitivo, a história deixa marcas e ensinamentos que acompanham o leitor por toda a vida. Se você está em busca de uma narrativa realista, emocionante e repleta de personagens cativantes, Nana é a escolha perfeita.
Vá de coração aberto, bem hidratado e com dois potes de lenços ao lado. Depois, volte aqui para me agradecer — ou para dizer que eu estava certa.